Médicos em Estocolmo


  É só porque tenho preguiça de escrever, mas na verdade quase todos os dias eu tenho material novo pra escrever posts neste blog sobre curiosidades do mundo fora do Brasil! Vou contar a de hoje:



Bem, fui pro Brasil numa viagem superrapidinha (10 dias) durante a Páscoa e na última noite que eu estava lá, tive uma crise de pedra no rim. Fui ao hospital, recebi a medicação adequada e fui aconselhada a procurar um urologista. Voltei pra Estocolmo e procurei um médico do convênio do meu trabalho (ainda não descobri a diferença entre esse convênio privado e o sistema público de saúde, mas tudo bem) e consegui uma consulta para daqui a 2 meses!!!! Eu ia até esperar, porque acho um saco ficar ligando pra médico, mas resolvi tentar encontrar algo mais rápido. Me indicaram um certo hospital e hoje de manhã eu liguei. Começa que você não fala com ninguém. É uma máquina que responde e pede pra você digitar o número do telefone e te diz uma hora que você receberá a ligação deles. Pra mim demorou cerca de 1 hora e a enfermeira ligou (eu tenho a impressão de que todas as secretárias de clínicas médias daqui de Estocolmo são enfermeiras). Ela não falava muito bem o inglês, e eu não falava muito bem o sueco, então a comunicação não foi muito fluente, mas o lance é que ela se recusou a marcar uma consulta pra mim! Eu perguntei umas 10 vezes: "POR QUE NÃO", e ela só dizia: "I CAN´T, I CAN´T!!!" ("não posso"). Ela insistia que a médica iria me ligar e eu só pensava "pilantra... tá querendo me despistar falando que a médica vai me ligar! Onde já se viu médico de hospital ligar pra paciente? Os médicos de hospital ficam atendendo emergência, gente que chega estourado de acidente... Se fosse em Conchas (minha cidade natal) eu até acreditaria, mas numa capital como Estocolmo??!!! até parece que eu acredito!". Insisti mais umas 10 vezes e obtive a mesma resposta. Até que me conformei e desliguei o telefone brava, xingando o sistema, os suecos, achando que aquilo era uma baita falta de profissionalismo!


Pois bem, cerca de meia hora depois, toca o meu celular!


"Alô, aqui é a Linda Waghe, urologista". Quase caí de costas! Pois não é que me ligou?? E me explicou tudo certinho o que está acontecendo no meu corpo agora, o porquê de eu ainda sentir dor, etc. Disse que a primeira coisa a se fazer é tirar um raio-X três semanas após a crise, para identificar a pedra e a partir daí seguir com o tratamento mais adequado. Ela perguntou meu número de identificação (tipo um RG sueco) e os meus dados pessoais e minha ficha médica apareceram na tela de seu computador. Ela então me disse que vai mandar pelo correio uma carta-convite para que eu compareça ao hospital para o raio-X. 


Desliguei o telefone e fiquei com o queixo caído por uns 5 minutos, até que o telefone tocou de novo:


"Oi, Priscila. É a Linda de novo. Esqueci de perguntar, qual lado está a pedra? É para as instruções do raio-X! Esquerdo? Ah, então tá, obrigada! Tenha um bom dia".



A nova princesa sueca

Primeira foto de Victória, Daniel e a princezinha.
Literalmente!
Nesta minha passagem pela Suécia, fico feliz por ter testemunhado um momento tão importante para a história do país: o nascimento da futura rainha.
Victória, filha mais velha do casal real Carl-Gustav e Silvia (filha de mãe brasileira), casou-se com o plebeu Daniel exatamente um mês após o casamento desta plebeia que vos escreve com o (meu) "príncipe" belga. E esta semana nasceu o bebezinho.
Pela regra - criada após o nascimento de Vitória -, o trono é passado para o primeiro filho do casal real, independentemente de ele ser do sexo feminino ou masculino. Ou seja, é Vitória quem herdará a coroa de seu pai. E esse bebezinho que ela carregava no ventre herdará o reino daqui a alguns anos.

Na quinta-feira (23/04/2012), a Suécia acordou feliz. Às 04:26 nasceu a mais nova princesa sueca, a futura rainha do país. Até o nascimento, ninguém sabia o sexo da criança. Quando o orgulhoso papai Daniel, na conferência com a imprensa, direto do hospital Karolinska (onde estudei Neuropsicologia!) anunciou o nascimento de uma menininha, a Suécia toda ficou feliz! Uma repóter soltou um "ah", e todos os outros sorriram. Foi bonito ver a emoção de Daniel. Mas mais bonito ainda foi ver a comoção do povo sueco.

Pra mim, era só mais uma criança nascendo. Mais que isso, uma criança que nunca vai trabalhar e mesmo assim viver uma vida de luxo e conforto. Minha mente "rebelde" é um pouco contra essas coisas... Mas eu não achei pessoas que compartilhassem da minha visão. Então fiquei calada e, como sempre, observei.

A Suécia estava em festa! E vi isso no sorriso e no olhar dos suecos que trabalham comigo! Todo mundo queria falar um pouquinho da Victória, do nascimento, do Daniel... O nascimento da princesa foi o assunto do dia! Pontualmente às 12:00 houve uma salva de tiros de canhão (eu acho), em homenagem à princesinha. 42, em vez dos 21 tiros que homenageiam o nascimento de um membro da família real. Este bebezinho merece o dobro, afinal, será um dia a rainha desse país. Pela Suécia todo, "bolos da Princesa" foram vendidos, e cada família ou escritório comemorou o nascimento do bebê.

O "Bolo da Princesa" ou "Prinsesstårta"


Aí veio a pergunta: "qual será o nome da princesa?". Todo mundo queria saber! No meu escritório, rolou um bolão. 20 Coroas (5 reais) por nome. Minha aposta foi em Catharina, e meus colegas chutaram: Alice, Sonja, Amanda, Emma, Desirré, Ingrid, Anna... O nome seria anunciado no dia seguinte, às 11:15.

Ainda na quinta-feira, houve na tv, além da reportagem no jornal das 19h, um programa de uma hora de duração com dois especialistas em assuntos reais, falando tudo o que se pode imaginar sobre a repercussão do nascimento mundo afora... Além de adivinhações do nome do bebê, claro. Repórteres estavam de plantão em frente ao castelo onde Victória e Daniel moram (a mais ou menos 2 km da minha casa! rsrsrs), informando, com a acurácia sueca: "o tio Carl-Phillip e Sofia (namorada de Carl-Phillip) chegaram para visitar o bebê às 17:11". Os avós "Sílvia e Carl-Gustav acabaram de deixar o palácio". E assim por diante. Soube que a princesa Madaleine, que mora em Nova Iorque, não estava aqui para acompanhar o nascimento da sobrinha. Parece que vai esperar uns dias para vir...

E no dia seguinte, o dia não tomou seu ritmo normal antes das 11:15. Todos estavam na expectativa. Parecia dia de final de copa do mundo! Eu achei aquilo tão fofo (e um tanto bobo, pra ser honesta...). Às 11:15, como prometido, ficamos sabendo do nome da princesa: Estelle Silvia Eva Mary. Ninguém ganhou o bolão e recebemos de volta as 20 coroas. Eu sugeri que comprássemos um "bolo da princesa" com o dinheiro, mas o marzipan, usado na cobertura do bolo, esgotou-se em Estocolmo e nas cidades vizinhas (pode?).

Outra coisa que achei muito bonitinha foi a reação das pessoas na rua. Vi pela tv e li no jornal. Os repórteres perguntaram para pessoas na rua: "o que você acha do nascimento da princesa?". E a resposta de todos foi muito positiva. "Ótimo! Quero desejar a Victória e ao Daniel toda a felicidade do mundo!", disse um. "Parabéns!!", disse outro. Nada de piadinhas, nada de coisas do tipo: "mais uma pra gastar o dinheiro dos nossos impostos"... tão estranho pra mim! Acho que a gente (brasileiro) está tão acostumado a julgar mal quem está no poder, que palavras e pensamentos negativos são as primeiras coisas que me vem à cabeça. Mas aqui não foi assim. Todos estavam felizes, sorridentes e recebendo de braços abertos a nova princesinha!

Em um dos prédios reais é possível assinar um livro de "bem-vinda ao mundo" para Estelle.
Veja aqui Daniel anunciando ao país o nascimento de sua filha. Ele diz:

"Nesta manhã, às 04:26, nasceu, com 51cm e 3280 gramas, uma muito bonitinha princesa".


Turbilhões em nossas vidas...


De acordo com minhas pesquisas informais, a maioria dos brasileiros que conheci na Austrália decidiram sair do Brasil porque a situação não estava lá aquelas maravilhas no nosso país tropical... emprego ruim, fim de relacionamento, morte de um ente querido... enfim, era como se a Austrália representasse uma virada, um lugar para enterrar o passado e, quem sabe, começar um novo futuro.


E comigo não foi diferente... eu estava passando por um dos piores momentos da minha vida... tinha saído da faculdade e deixado de ter a segurança de um mundo que era todo perfeito... meu namoro delicioso, meus amigos por todos os lados, as aulas de psicanálise, as conversa de bar de todas as noites... tudo aquilo tinha ficado num outro lugar, mas não num lugar acessível... tudo isso, de um dia para outro, tornou-se passado... e do passado, a gente só tem a lembrança. Nada mais.... No dia da minha formatura, o meu mundo teve que ser implodido... Eu voltei a morar com meus pais na minha cidadezinha, namorado e amigos espalhados pelo mundo e tão distantes de mim... comecei a trabalhar e parecia que não era bem aquilo... 


Morar com meus pais não era ruim! Eu gosto muito deles e sempre tive muita liberdade perto deles... esse, definitivamente, não era o problema! Era tudo ao redor, todo o entorno daquilo é que era negativo... O rumo que minha vida estava tomando não me deixava nem um pouco feliz!


O tempo foi passando e foi ficando mais difícil... porque as coisas foram ficando piores... talvez porque fui mais e mais me afastando dos meus objetivos... É que tudo se tornou uma grande confusão, e eu tentava me convencer de que aquela rotina era o que "deveria" ser, que a minha vida tinha mudado e que eu apenas tinha que, passivamente, aceitar essas novidades tão chatas...


Mas não era fácil!! Então era assim que tinha que ser? Então é isso que é "ser adulto, formado, com uma profissão?" Gente, aquilo era muito chato! Chato demais... e por não ter objetivos, ou por estar num caminho tão distante do que deveria ser o MEU caminho, eu fui ficando triste, triste, triiiiiiiiiiiiiste... Todos os dias eu pensava que seria melhor se a minha vida se acabasse... pois nada era feliz... e eu teria que viver mais quantos anos naquela mesmice? 


Eu acordava e pensava: "ai, tenho que ficar acordada por 15 horas até poder dormir de novo?"... sim... sintomas depressivos... mas a gente não se liga neles quando está no meio de tudo isso...





E as pessoas deviam me achar uma boba... porque apenas o que me dava alegria era pensar no meu passado... porque o presente e o futuro não faziam sentido algum pra mim... Pelo menos eu tinha aquele passado bonito, e poderia ao menos ter o prazer das lembranças dele...


Eu tentava me relacionar com pessoas, fazer novas amizades ou encontrar um carinha legal pra sair, mas tudo me parecia chato... e eu bebia muito álcool aos fins-de-semana... fumava depois do trabalho, nem sei pra que, mas acho que pra ter algo pra fazer... eu realmente não estava  vivendo uma vida saudável...


Mas eu sempre escrevi... Sempre tive a mania de ter um caderno no criado-mudo pra registrar meus pensamentos... e então eu escrevi algumas linhas e passei pro meu primo, que tem um talento fenomenal para música. Ele musicou minha poesiazinha, e acabou saindo uma música pra lá de bonita!


Se chama TURBILHÃO. A gente até patenteou, porque, quem sabe a música vira um hit? rsrsrs...


Muita gente que a ouve, pensa que estou falando de amor, de uma paixão arrasadora e tals... tudo bem, pois o legal de músicas, letras e poesias é que cada um tem sua própria interpretação... mas não é nada disso... É que eu sentia que eu tinha entrado num furacão, que tudo estava desorganizado na minha vida... eu via as pessoas e as alegrias passarem perto de mim, e num instante, elas iam parar bem longe... como num turbilhão, que faz tudo girar...


Eu tentava arrumar minha vida (minhas gavetas), mas tudo continuava bagunçado... E minha cara, de tanto chorar, já nem era mais a mesma. As pessoas diziam: "vai passar!", mas, porra! Por que não passa, então???? Por que demora tanto??? 


Minha vida tinha mudado tanto... como se meu mundo tivesse rachado ao meio! De repente, aquela vida que eu dominava, que era tranquila, "por onde eu andava em linha reta, sem nem pensar", já não mais existia... E refletindo sobre tudo isso, assim saiu:




TURBILHÃO


Seria um turbilhão que está passando?
E se tem que passar, por que não passa então?
Veio como um raio viajando
Sob os meus pés, rachando em dois o chão
por onde eu costumava ir
andando em linha reta
sem nem pensar...
De repente a água do rio se perdeu a caminho do mar
E no meio de um furacão fui parar

Vem, entra, fica, mora
desarruma minha casa,
bagunça todas as gavetas

Vem, entra, fica, mora
desarruma minha cara,
bagunça a minha cabeça







Copyright

Isso foi o que me mandou pra Austrália...


(continua...)
































Caronas... Ilha Solteira...

 Estava agora passeando pelo google maps quando resolvi dar uma olhada em Ilha Solteira, a cidade que visitei por 7 anos seguidos no Festival InterUnesp de MPB. O festival era (e ainda deve ser) uma delícia! Muitas músicas ótimas feitas pelos alunos dos diversos campi da Unesp. Muita MPB, estudantes-amigos-artistas interessadas em liberdade e em arte. Uma vez eu e dois amigos mandamos uma música de autoria de um deles... eu ia acompanhar no piano... mas infelizmente a música não passou... :( Enfim, Ilha Solteira me encantou de um jeito que prendeu meu coração por um longo tempo... 




A cidade é uma graça. Foi planejada para servir de abrigo aos trabalhadores da Usina Hidrelétrica, mas depois da obra feita, havia no local tanto recurso físico e intelectual no ramo da engenharia, que resolveu-se instalar lá a faculdade de engenharia da Unesp. Anos vão, anos vem, criou-se o festival de música, que é lindo!


                                                 "Prainha" à beira da represa Paraná 


Conheci muita gente querida por lá! Intercâmbio total entre as Unesps! Durante o dia a gente ia pra prainha, no chamado "Woodstock", e de noite o festival rolava no Teatro, bem em frente ao nosso acampamento, que se dava nas salas de aula ou nos gramados da universidade. A gente tomava banho no vestiário da Unesp, e invariavelmente a eletricidade caía. No primeiro dia a gente se assusta, mas depois tira-se de letra como tomar banho gelado, no escuro, ouvindo gritos de outras 8 meninas na mesma situação... rsrsrs...


Mas comecei a falar de tudo isso porque lembrei de uma carona especial que peguei lá. Eu já peguei e dei muitas caronas na minha vida, claro... não poderia ser uma viajante quase profissional se não tivesse feito isso... tive muita sorte com todas elas. E muitas caronas me deram mais do que transporte, como essa de Ilha Solteira, por exemplo. 


                            Pleno "Woodstock", muito calor!!! Nada melhor que uma "mangueirada"

Não me lembro em que ano foi, e também não me lembro ao certo quem estava comigo... mas o fato é que pra ir da Unesp até a prainha, à beira do rio Paraná, a gente tinha que pegar um ônibus circular, que demorava um tempãaaaao para chegar e estava sempre lotado... Então eu e minhas amigas, e outros grupos de estudantes também, acabávamos por ficar na beira da calçada com o polegar estendido, à busca de carona. E eis que um carro pára. 


Era um homem de seus 50 anos, ex-funcionário da represa. Ele nos contou várias coisas interessantes sobre a cidade - a população, as ruas planejadas, as casas do setor 1, 2 e 3, ou seja lá o que for, construídas para trabalhadores com respectivos níveis de instrução... não me lembro mais... e antes de nos deixar na prainha, ele nos levou para um passeio na ponte que passa sobre o rio, e que liga o estado de São Paulo ao de Mato Grosso do Sul. Foi muito bonito!


Mas o que eu gosto mesmo, e o que me marca, é o fato de encontrar essas pessoas de alma boa no meu caminho! De vez em quando fecho os meus olhos e faço uma oração, sem religião, para essas pessoas... que elas continuem aparecendo na minha vida e que eu possa retribuir essas boas ações a outras pessoas, assim como me pediu um outro cara que me deu carona no trajeto Assis-Bauru! 


Essa carona também foi mais que uma carona, e conto numa próxima oportunidade.



Palco do Festival, que rolava durante a noite no Teatro Municipal

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Que tal um biquinão desses pro próximo verão?



Repara no tamanho da calcinha... E se vocês acham que a cultura é assim porque as suecas não gostam de se expor, tentem me explicar porque 95% delas fazem top less!


No Brasil é o contrário... as brasileiras usam fio dental mas top less não é tão comum...


Vá saber...

É tudo uma grande ilusão!

Em junho de 2011, a praça central de Estocolmo, o "Sergels Torg" foi enfeitada com a arte ilusionista de Erik Johansson, um designer sueco que transforma a realidade em ilusão. 


Melhor que descrever em palavras, é ver imagens:






E assistindo a este filminho de apenas 1 minuto, você pode ter uma ideia melhor:






Confira mais do artista:




Piscininha

Nos claros, longos, belos, saudosos e distantes dias de verão eu frequentei (como espectadora) essa piscina. Pra chegar a ela, vai-se de bicicleta pelo meio do bosque por um caminho gracioso, beirando o lago e cheio de animais. De lá, do delicioso gramado, vê-se a ilha de Kungsholmen. A água é fria, e é por isso que eu só fiquei pelo gramado mesmo, lendo meus livros... rsrsrs... eu, hein?




Bem-vindo, inverno!


Tudo branquinho... foi assim que ficou o chão na manhã do dia 06 de dezembro de 2011, depois da primeira noite com um pouquinho de neve. As ruas da cidade logo voltaram ao normal, mas os gramados, cheios de água e vida, continuaram assim pelo resto do dia, até que o sol se deitasse, por volta das 15:30, e não mais nos deixasse admirar essa beleza...






O sol se põe...

lá pelas 15:30! Parece depressivo, né? Mas depende de cada um... Eu estou até que gostando... acho que segui o conselho da minha amiga... esperei o pior, e agora estou até que curtindo tudo isso! 

Morando fora

Pra morar num outro país, é necessário aprender tantas coisinhas pequenas que no dia-a-dia a gente nem presta atenção... que ônibus pegar, o lugar pra comprar agulha, onde que se consertam rodinhas de malas, qual a melhor marca de sabão em pó, o que é que substitui o creme de leite num país que não vende creme de leite... enfim, esses são apenas alguns pouquíssimos exemplos dos novos aprendizados necessários na aventura de ir para um novo país. Sem falar das sutilezas nos códigos sociais, nos códigos de comunicação e educação... É um desafio a cada momento. Do acordar ao dormir. O cérebro funciona em potência máxima. É uma canseira total! Com certeza a gente fere pessoas sem querer, fala coisa errada na hora errada... por conta das diferenças culturais. Quantos "foras" já não dei ao ver uma mulher grávida e perguntar: "Menino ou Menina?". Em várias culturas essa é uma pergunta proibida. Falei o que não devia, ouvi o que não queria. E sem ter culpa. Inocente e ingenuamente.
Coragem! É o que é preciso nessa vida! Coragem!